SOBRE |
|
The (mis)guided Tours nasceu do desejo de adicionar novas camadas de significado a espaços urbanos.
O passeio pedestre guiado é um formato amplamente utilizado pela indústria do Turismo, porém tem seu potencial crítico obliterado por interesses comerciais. The (mis)guided Tours propõe a exploração dos espaços urbanos à partir de perspectivas culturais multidisciplinares, criando passeios pedestres guiados criativos e originais - verdadeiros debates ambulantes. |
|
Em sua primeira edição, o projeto convidou artistas e coletivos locais a criarem novos roteiros que ampliam o repertório de histórias e estórias ligadas ao ambiente urbano do Porto e Matosinhos.
|
THE (MIS)GUIDED TOURS #1
|
Realizada no âmbito do Programa Satélites da Porto Design Biennale 2019, a primeira edição de The (mis)guided Tours convidou quatro artistas e dois coletivos a criarem passeios (des)guiados por Porto e Matosinhos aliando seus interesses artísticos a diferentes espaços urbanos.
Foram realizados seis passeios originais, abordando temas como a transformação e gentrificação das cidades, questões de gênero em espaços públicos, performatividade e coletividade temporária, desenho como ferramenta de observação (da cidade e de si mesmo em relação à cidade), ativismo sustentável e traços remanescentes do colonialismo na urbe. Os artistas exploraram zonas desde o Porto Ocidental, como o desaparecido bairro São Vicente de Paula na Corujeira, até a praia de Matosinhos, onde, em 1975, ocorreu o maior desastre ecológico da região. Entre um ponto e outro, artistas e participantes observaram e desenharam os arredores da Praça da Batalha, descobriram as estórias de Carolina Michaelis, Henriqueta da Conceição e Gisberta, conheceram o passado colonial dos Jardins do Palácio de Cristal e caminharam unidos pela mesma veste desde a Avenida dos Aliados até a Ribeira do Porto. |
|
De setembro a dezembro de 2019, cada um dos seis passeios (des)guiados ocorreu quinzenalmente, aos sábados e domingos, de forma totalmente gratuita. Mais de cem pessoas participaram das atividades realizadas, registadas em fotos, vídeos e através das redes sociais.
|
PASSEIOS (DES)GUIADOS
|
|
|
|
De Corpo PresenteO tempo sempre foi um fator importante em como observamos a cidade e a experimentamos. Portanto, entre pausas e movimento, faremos nossa viagem. Munidos de um corpo, um caderno-guia e um olhar etnográfico, conduzidos pelas nuances da percepção, seremos exploradores de um mundo: o nosso e o do outro. Descobrir a poesia que existe no não-visível, o que está escondido na pressa dos dias. Observar diferentes realidades para criar novas. Assim, existimos, coexistimos, conectamos. A proposta é estar, como as crianças ou um estrangeiro em novas terras, de corpo atento, de corpo presente.
Por Luciana Bastos. #cadernodeartista #etnografiaurbana #desenhodeobservação |
Veste ÚnicaUma proposta de indumento/adorno para ser usado por um coletivo de pessoas que, conectadas, percorrerão uma delimitada área do centro histórico do porto em uma vivência performativa. Esta proposição estética aborda uma questão basilar do pensamento político que consiste em propor um convívio harmônico entre as distintas singularidades de uma mesma sociedade, onde as diferenças possam coexistir. Em uma ação simples de percorrer o trajeto estipulado, um corpo passa a estar dependente do outro para determinar posições e movimentações no espaço e, fatalmente, um corpo orienta e guia o outro, havendo tratos não previamente combinados durante a própria execução da tarefa, onde essa massa de gente unida funciona como uma metáfora da grande massa que a circunda.
Por Tales Frey em colaboração com Hilda de Paulo. #performatividade #coletividadeefêmera #ativismo |
|
Esta atividade divide-se em dois dias: no primeiro, os participantes se encontram num dos pontos mais altos da cidade, o Espaço Musas, para uma conversa em torno do tema da indústria extrativa de óleos. Em um exercício de reconhecimento da paisagem, observaremos a estrutura cartográfica do sistema que abriga e sustenta esta indústria que oprime comunidades e a natureza. No segundo dia, percorreremos 2 quilómetros junto ao mar percebendo a história de um monumento hoje invisível de um navio que, em 1975, explodiu com 50 mil toneladas de petróleo, cobrindo a cidade do Porto com uma fumaça tóxica.
Por Orlando Vieira Francisco. #ativismoambiental #desastreambiental #walkandtalkperformance |
|
A Primeira Exposição Colonial Portuguesa aconteceu nos Jardins do Palácio de Cristal entre 16 de Junho a 30 de Setembro de 1934. Funcionou primordialmente como um instrumento de propaganda no início da ditadura Salazarista: fortalecer a opinião pública sobre os territórios ultramarinos e taticamente afirmar o nacionalismo. O evento se parecia com um parque de diversões, oferecendo estandes de exposições, teatros, reproduções de monumentos coloniais ultramarinos, zoológico, cinema, comboio turístico, teleférico - e a exibição pública de populações indígenas. Com o passeio proposto, iremos caminhar pelo Palácio de Cristal e refletir sobre o peso invisível do passado, elaborando sobre as suas consequências na contemporaneidade. Assim, com esse enquadramento histórico, iremos nos confrontar com os problemas estruturais da sociedade Portuguesa: racismo, eurocentrismo e exclusão social.
Por InterStruct Collective. #exposiçãocolonial #práticasdecoloniais #paláciodecristal |
ARTISTAS CONVIDADOS |
|
Quatro artistas e dois coletivos participaram da primeira edição do projeto. A participação de cinco destes aconteceu por convite da equipe curatorial e uma vaga foi ocupada pela proposta vencedora escolhida através de um Open Call. Com trajetórias distintas e pesquisando as mais diversas temáticas dentro da arte contemporânea, os artistas selecionados desenvolvem suas obras em suportes variados: da performance à intervenção urbana, passando pelo caderno de artista, curadoria de exposições, vídeo e som. A convite do The (mis)guided Tours, exploraram o passeio guiado como formato para a criação de uma obra original.
Conheça os artistas:
|
@THEMISGUIDEDTOURS
FICHA TÉCNICA
|
The (mis)guided Tours
Primeira edição: Setembro a Dezembro de 2019 Artistas participantes: Flora Paim, Coletivo MAAD e Laurem Crossetti, Tales Frey e Hilda de Paulo, Luciana Bastos, Orlando Vieira Francisco e InterStruct Collective Entidade produtora: Parábola Crítica Associação Cultural Financiamento e divulgação: Porto Design Biennale Concepção e gestão de projeto: Laurem Crossetti Desenvolvimento e implementação: Laurem Crossetti e Coletivo MAAD Design: Beatriz Alcantara Multimédia: Maria Paula Suriani Kemmer Colaboradores: Renato Pinfildi Machado, Henri Chevalier, Tiago Barbosa, Aida Suárez Gutierrez (Livraria Confraria Vermelha), Duda Affonso. |